“O Rei voltou”. Esta foi a frase com que o demo de PES 2015 se apresentou para mim. Naturalmente, entendi que seria um exagero, mas totalmente justificado pela boa repercussão que o game mostrou na Gamescom. Após alguns anos perdendo fôlego no mercado para o principal concorrente (Fifa Soccer), eis que a franquia da Konami ameaça uma reação.

Só para que o leitor tenha noção da parcialidade de quem está escrevendo, digo que sou um fã dos jogos de futebol. Uma vez que sou experiente (também conhecido no exterior como oldman), afirmo que joguei mais versões destes jogos do que a maioria dos que me leem neste momento. Conheci os primeiros Fifa Soccer e muito joguei o Perfect Eleven (precursor da franquia PES). Acredite: há duas décadas, o game da Konami era muito superior à estranha tentativa da Eletronic Arts.

Preferindo largamente as versões “konamiescas”, prossegui jogando os Winning Eleven e, então, Pro Evolution Soccer que se apresentaram desde então. De vez em quando, eu jogava Fifa. Mas só para criticar, admito. Eu era um fã da franquia da Konami. Os anos se passaram e eu percebi que o game da Eletronic Arts evoluía. As pessoas comentavam que havia melhoras, e eu, fanático, recusava-me a perceber.

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Nos últimos anos, resolvi largar o preconceito. Adquiri um Fifa Soccer e passei a me divertir mais do que pensei. Não demorou para que eu quase “migrasse” de franquia e começasse a gostar mais de Fifa. As versões 2014 vieram e eu me vi adquirindo apenas o game da EA Sports, deixando o velho PES de lado. E certo do que fazia, pois considero PES 14 como um dos piores de todos os tempos.

Os demos das versões 2015 chegaram e eu fui logo conferir. Fifa fez o dever de casa. Manteve-se com poucas mudanças aparentes. Nenhuma revolução é necessária quando se lidera um mercado. Deixe que o concorrente se arrisque. Ele precisa. Creio que tenha sido esta a estratégia adotada pela Eletronic Arts. Fifa 15 parece ser bom. Muito bom, na verdade. Se você gosta do ótimo Fifa 14, também deverá gostar do 15. A meu ver, parecem o mesmo jogo. Um caso de sucesso repetido. Não se mexe em time que está ganhando.

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Então fui conhecer o badalado demo de PES 15. O fato de ser extremamente diferente da versão anterior causa um alívio. Joguei algumas partidas e muita coisa me divertiu. Ótima movimentação dos jogadores, com uma inteligência artificial nitidamente superior ao que tenho visto por aí (inclusive no Fifa). Com isso, temos menos impedimentos e menos jogadas frustradas. O jogo também pareceu reduzir resultados automáticos (tipo “chute dali que sempre entra”) e a pancadaria. Gostei. Na verdade, adorei. Ainda não sei dizer se o jogo é consistente e pouco me importa se é realista. Sei que me diverti. E, em meus quase trinta anos de videogame, diversão é meu único objetivo quando pego um controle.

Resumindo, PES 15 parece ser sensacional. Acredito que a Konami tenha dado uma respirada em 2014, lançando quase um protótipo, a fim de preparar por mais tempo uma versão inovadora. Comprarei e jogarei os novos PES e Fifa, e confesso que fico muito feliz em apostar que ambos me darão muita diversão.

Você, fã de Fifa, pode estar pensando: “Bobagem! PES é jogo de criança!” E eu respeito sua preconceituosa opinião. Já fui assim. Já deixei de me divertir com um game simplesmente por me manter “fiel” a outra franquia. Quer uma dica de um oldman? Jogue os dois. E aproveite o que cada um tem de bom. É inocência acreditar que uma das maiores empresas do ramo iria permitir que uma concorrente se mantivesse por longo tempo com um produto muito superior. Aproveite esta disputa. Eletronic Arts e Konami não querem sua fidelidade. Elas só querem o seu dinheiro.