Almost Human é uma série de televisão que me fez ter saudades de Blade Runner. Ela se passa em 2048 e traz Karl Urban (Star Trek) no papel do detetive John Kennex e seu parceiro, o androide Dorian, interpretado pelo ator Michael Ealy (2 Fast 2 Furious), criação de J.H. Wyman e com a assinatura de J.J. Abrams, como produtor executivo.

Sempre fui fã da mistura tecnológica com o enredo policial em produções de Ficção Científica. Desde os tempos do saudoso Blade Runner – O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982) e sua caça aos Replicantes, Fora de Controle (Runnaway, 1984) com seus robôs adulterados, passando pelos animes Bubblegum Crisis (1987) e os perigosos Boomers e Ghost in the Shell (1989), e sua polícia especial, que o tema “policial do futuro” me chamou a atenção.

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“Alguns nascem policiais, outros, são criados”.

Replicantes à parte, na série televisiva, o enredo é o já conhecido futuro próximo, onde a tecnologia é acessível a todos, inclusive os bandidos, e a polícia não está totalmente preparada, investindo tempo e recursos para enfrentar novos tipos de crimes tecnológicos que vão muito além do que vemos hoje em dia. Os policiais precisam andar com robôs, seus parceiros de ronda, no melhor estilo Asimov. Mas estes autômatos são usados tanto pela polícia quanto pelos vilões.

Aqui, os personagens enfrenta a clássica ideia de que agem juntos mas com muita dificuldade. O ranzinza Kennex (McCoy?) não suporta os “sintéticos”, culpando-os por ter perdido um parceiro e a própria perna, substituída por uma artificial e agora, retornando à ativa, precisa andar acompanhado de um androide.

Os modelos atuais da polícia, os MX, são eficientes, mas frios e calculistas e para Kennex, é destacado um velho modelo, o DRN, um androide que possui uma “Alma Artificial” um programa que o permite ter emoções, justamente o que falta a força policial. Como dois personagens à moda antiga, que trocam farpas enquanto combate o crime, eles produzem uma razão a mais para se acompanhar uma série repleta de bons e saudosos clichês.

A série tenta, mas esbarra em alguns clichês de décadas. Impossível na comparar com a rabugisse de Decard ou de um William Smith que também perdeu a perna e não simpatiza com os bonecos. É natural comparar, e por isso estou adorando. Ter a chance de rever conceitos, mas em uma melhor apresentação.

Almost Human diverte pela humanização da tecnologia e a atuação de seus personagens. O visual lembra muito os sets de filmagem de Blade Runner enquanto segredos são ventilados nos poucos episódios gerando os primeiros rumores na internet. No melhor estilo Lost, já há quem aponte pequenos detalhes que podem transformar este seriado em um novo sucesso.